GLUFOSINATO X PICÃO-PRETO

Características

  • Data da aplicação: 11/01/2026

  • Data Avaliação: 11/01/2026 a 18/01/2026

  • Local do experimento: Goiânia-GO

  • Área foliar: 0,0625m²

  • Produto avaliado: Glufosinato- Sal de Amônio, 280 g/L

  • Dose: 3 L/ha

  • Adjuvante: Não possui

  • Óleo: Não possui

  • Estádio fenológico da aplicação: Adulta

  • Tecnologia de aplicação:

    • Volume de calda (L/ha): 300

    • Tipo de ponta: Cone vazio

    • Horário de aplicação: 12:00

Sobre Glufosinato de Amônio

Visão geral

O glufosinato de amônio (fosfinotricina) é um herbicida pós-emergente, não seletivo, classificado no HRAC Grupo 10, amplamente utilizado no controle de plantas daninhas de folhas largas e gramíneas, bem como em dessecação pré-colheita e manejo de resistência. Seu valor agronômico reside no modo de ação distinto e na elevada velocidade de ação quando aplicado sob condições ambientais adequadas.

Modo de ação – abordagem fisiológica e bioquímica

O glufosinato atua por inibição irreversível da enzima glutamina sintetase (GS), responsável pela assimilação de amônio (NH₄⁺) via conversão de glutamato em glutamina. A inibição da GS provoca:

  • Acúmulo rápido de amônia livre nos tecidos foliares;

  • Colapso do metabolismo do nitrogênio;

  • Interrupção da fotossíntese e da fotorespiração;

  • Geração intensa de espécies reativas de oxigênio (ROS);

  • Peroxidação lipídica, ruptura de membranas e necrose celular.

A morte da planta ocorre de forma relativamente rápida (1–5 dias), principalmente nos tecidos diretamente atingidos, caracterizando o glufosinato como um herbicida predominantemente de contato, com translocação limitada.

Dinâmica de absorção e translocação

  • Absorção: majoritariamente foliar, dependente da cutícula, estado hídrico da planta e cobertura de pulverização.

  • Translocação: restrita; ocorre de forma limitada via apoplasto, sem redistribuição significativa para meristemas distantes.

Essa característica explica a necessidade de alta qualidade de aplicação, volumes adequados de calda e cobertura uniforme do dossel das plantas daninhas.

Diferentemente de herbicidas sistêmicos como o glifosato, que translocam por floema e xilema, o glufosinato tem translocação restrita e depende de boa cobertura foliar para eficácia máxima. Isso enfatiza a necessidade de cobrir adequadamente as folhas das plantas daninhas para controle consistente. 

Condições de aplicação

A atividade da glutamina sintetase é maior sob alta intensidade luminosa. Aplicações realizadas entre o final da manhã e início da tarde apresentam maior eficiência, enquanto aplicações noturnas, ao amanhecer ou sob céu muito nublado podem resultar em controle inferior e maior taxa de rebrote.

  • Temperaturas moderadas a altas (≥25 °C) favorecem absorção e ação.

  • Umidade relativa elevada melhora a hidratação da cutícula e a penetração do herbicida.

  • Plantas sob estresse hídrico apresentam resposta reduzida.

  • A chuva logo após a aplicação reduz drasticamente a eficiência. Em geral, recomenda-se um intervalo mínimo de 4 horas sem chuva para absorção adequada (rainfastness).

Estádio das plantas daninhas

O glufosinato apresenta melhor desempenho quando aplicado em plantas daninhas:

  • Jovens;

  • Em crescimento ativo;

  • Com área foliar suficiente para interceptação da calda.

Infestações em estádios avançados, plantas lignificadas ou com dossel fechado exigem doses maiores e podem apresentar escapes.

Glufosinato e manejo de resistência

O glufosinato é peça-chave em programas de Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), especialmente frente à disseminação de biótipos resistentes ao glifosato (HRAC Grupo 9).

Boas práticas incluem:

  • Rotação de mecanismos de ação;

  • Misturas em tanque com herbicidas de outros grupos (quando registradas);

  • Integração com métodos culturais e mecânicos;

  • Evitar aplicações repetidas isoladas na mesma área.

Apesar do risco de resistência ser considerado menor que em herbicidas sistêmicos, já existem relatos internacionais de tolerância aumentada associada a aplicações frequentes e mal posicionadas.

O desenvolvimento de cultivos geneticamente tolerantes ao glufosinato (ex.: tecnologias LibertyLink®) ampliou o uso do herbicida em pós-emergência, permitindo controle eficaz de plantas daninhas em sistemas intensivos de produção, especialmente em soja, milho e algodão.

Uso como dessecante

O glufosinato também é empregado na dessecação pré-colheita, promovendo secagem rápida da parte aérea. Entretanto, sua ação de contato exige atenção à uniformidade de aplicação para evitar dessecação irregular.

Aspectos ambientais e comportamento no solo

  • Baixa persistência residual;

  • Rápida degradação microbiológica no solo;

  • Baixa mobilidade quando aplicado corretamente;

  • Menor risco de carryover para culturas subsequentes.

Essas características tornam o glufosinato uma ferramenta compatível com sistemas de produção sustentáveis, desde que respeitadas as boas práticas agrícolas.

O glufosinato de amônio é um herbicida altamente técnico, cuja performance depende menos da dose isolada e mais do posicionamento agronômico correto. Horário de aplicação, intensidade luminosa, estádio das plantas daninhas e qualidade da pulverização são determinantes para o sucesso do controle. Quando bem manejado, é uma ferramenta estratégica no enfrentamento da resistência e na diversificação de mecanismos de ação em sistemas agrícolas modernos.

O picão-preto (Bidens pilosa L.), pertencente à família Asteraceae, é uma das plantas daninhas mais amplamente distribuídas em regiões tropicais e subtropicais, com elevada plasticidade ecológica e grande importância agronômica em sistemas anuais como soja, milho, algodão e feijão. Trata-se de espécie anual, C3, com rápido crescimento inicial, elevada produção de biomassa e capacidade de florescimento precoce. Seu ciclo pode variar entre 60 e 120 dias, dependendo das condições ambientais, e uma única planta pode produzir de 3.000 a mais de 6.000 aquênios viáveis, favorecendo alta reposição do banco de sementes no solo.

A espécie apresenta notável adaptação a solos de média a alta fertilidade e responde intensamente à disponibilidade de nitrogênio, o que explica sua agressividade em áreas sob manejo tecnificado. Sua emergência ocorre predominantemente na camada superficial (0–2 cm), com sementes fotoblásticas positivas, ou seja, estimuladas pela presença de luz. Essa característica confere vantagem em sistemas de plantio direto mal manejados ou após revolvimento superficial do solo. As sementes apresentam dormência variável e podem permanecer viáveis por vários anos, dependendo das condições edafoclimáticas.

Do ponto de vista competitivo, o picão-preto apresenta elevada eficiência no uso de recursos e rápido fechamento de dossel, reduzindo a interceptação luminosa pela cultura. Estudos de interferência indicam que infestações iniciais podem causar reduções significativas de produtividade, especialmente quando a convivência ocorre nas primeiras semanas após a emergência da cultura. Além da competição por luz, água e nutrientes, há relatos de potencial alelopático associado à liberação de compostos fenólicos, embora o impacto agronômico direto ainda seja objeto de investigação.

No manejo químico, Bidens pilosa é historicamente sensível a diversos mecanismos de ação; entretanto, populações resistentes já foram documentadas para inibidores da ALS (HRAC Grupo 2) em diferentes regiões agrícolas, resultado do uso repetitivo e isolado desse grupo. A espécie também apresenta variabilidade de resposta a auxínicos sintéticos e pode demonstrar escapes quando aplicações são realizadas em estádios avançados ou sob estresse hídrico. O controle é mais eficiente em plantas jovens, com até 4 folhas verdadeiras, quando o metabolismo está ativo e a área foliar ainda é reduzida.

Estratégias eficazes de manejo envolvem integração de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, uso de pré-emergentes residuais para reduzir fluxos de emergência e práticas culturais que promovam rápido fechamento do dossel da cultura. A manutenção de cobertura vegetal no sistema plantio direto e a prevenção da produção de sementes são fundamentais para reduzir o banco de sementes ao longo das safras. Considerando sua alta capacidade reprodutiva e plasticidade adaptativa, o picão-preto deve ser tratado como espécie estratégica dentro de programas de manejo integrado de plantas daninhas, e não apenas como alvo pontual de controle químico.

Picão-Preto